O Formare, programa de qualificação profissional para jovens em desvantagem socioeconômica, da Fundação Iochpe, avança na atualização de sua proposta pedagógica com um plano de ensino dedicado à Inteligência Artificial. A nova unidade curricular foi estruturada pela equipe pedagógica do Formare e especialistas da Maxion Wheels, de Limeira (SP), com o objetivo de preparar jovens da educação profissional para compreender, experimentar e avaliar criticamente o uso da IA em diferentes contextos da vida cotidiana e do mundo do trabalho.
Com carga total de 40 horas-aula, o plano de ensino está organizado em três eixos principais: aplicações práticas da inteligência artificial no cotidiano; fundamentos de algoritmos, dados e tomada de decisão; e ética e implicações sociais da IA. A proposta combina atividades práticas, pesquisa, discussão em grupo, simulações e produção de materiais educativos, com foco no desenvolvimento de competências essenciais para uma realidade cada vez mais impactada pela tecnologia.
A iniciativa dialoga diretamente com uma das principais transformações em curso no mercado de trabalho. Segundo o Fórum Econômico Mundial, 39% das competências consideradas essenciais para os trabalhadores devem mudar até 2030, em um cenário marcado pela digitalização, automação e avanço da inteligência artificial. A UNESCO também tem reforçado a necessidade de que sistemas educacionais preparem estudantes para interagir com a IA de forma segura, crítica, responsável e significativa.
Em um momento em que a inteligência artificial deixa de ser uma discussão restrita ao setor de tecnologia e passa a impactar profissões, empresas, escolas e relações de consumo, a Fundação Iochpe busca aproximar os jovens de uma tecnologia que já está presente em situações comuns, como recomendações de músicas e vídeos, filtros de redes sociais, tradutores automáticos, chatbots, reconhecimento facial, aplicativos de mobilidade, sistemas bancários, ferramentas educacionais, diagnósticos por imagem e soluções de automação industrial.
“Falar de inteligência artificial na formação profissional dos jovens não é falar apenas de futuro. É falar do presente. A IA já está nos serviços, nas empresas, na forma como consumimos informação e nas decisões que afetam o dia a dia das pessoas. O nosso desafio é ajudar o estudante a compreender essa realidade, identificar oportunidades e desenvolver pensamento crítico para usar a tecnologia com responsabilidade”, afirma Claudio Anjos, presidente da Fundação Iochpe.
Aprender fazendo
O plano de ensino segue a metodologia por competências adotada pelo Programa Formare. A lógica parte do ciclo ação-reflexão-ação, no qual os estudantes são convidados a experimentar situações reais, refletir sobre os resultados, aprofundar conceitos e aplicar novamente o conhecimento adquirido. A proposta valoriza a participação ativa do estudante e posiciona o educador voluntário como mediador do processo de aprendizagem.
Na primeira etapa da unidade curricular, os estudantes são estimulados a reconhecer onde a inteligência artificial já aparece em suas rotinas. A partir de perguntas como “de que forma a IA já apareceu no cotidiano de vocês?” e “como essas tecnologias sabem o que queremos ou do que gostamos?”, a turma conecta o tema a experiências concretas.
Essa aproximação acontece por meio de atividades em grupo, nas quais os jovens mapeiam exemplos de IA em ambientes como casa, escola, trabalho, transporte e espaços de lazer e compras. A proposta inclui a criação de mini histórias, tirinhas, cartazes ou storyboards que mostrem onde a IA aparece, como interage com as pessoas e de que forma pode facilitar ou impactar suas vidas.
“Quando o estudante percebe que a inteligência artificial está no aplicativo de transporte, no atendimento de uma loja, na recomendação de um filme ou em uma ferramenta de estudo, o tema deixa de parecer distante. Ao entender que, mesmo desafiadora, ela é acessível e pode ser aprendida, o jovem ganha confiança para enxergar novas oportunidades, abrindo caminhos que podem transformar sua trajetória e ampliar seus horizontes.” Filipe Correa Pinto, Advanced Engineering Manager na Maxion Wheels e um dos idealizadores do plano de Ensino de IA
Além de reconhecer a presença da IA no cotidiano, o plano de ensino propõe que os estudantes pesquisem exemplos reais da tecnologia em setores como saúde, educação, indústria, comércio, segurança, transporte e lazer. Um dos pontos de destaque é a simulação de tomada de decisão, em que os jovens assumem o papel de uma equipe que pretende adotar uma solução de IA para melhorar um processo, avaliando problemas, dados, riscos, benefícios e possíveis impactos.
Essa abordagem aproxima a sala de aula de situações reais do mundo profissional. Em vez de tratar a inteligência artificial apenas como conceito abstrato, o plano estimula os jovens a refletirem sobre critérios de escolha, privacidade de dados, qualidade da informação, viés algorítmico e responsabilidades envolvidas na adoção de soluções tecnológicas. “Não basta saber que a ferramenta existe. É preciso entender para que ela serve, quais dados utiliza, quem é impactado por ela e quais cuidados precisam ser considerados antes de aplicá-la”, diz o presidente da Fundação Iochpe.
A segunda situação de aprendizagem aprofunda os fundamentos de algoritmos e estruturas de dados utilizados em sistemas de inteligência artificial, mas sem exigir conhecimentos prévios de programação. O objetivo é apresentar, de forma acessível, a lógica por trás de algoritmos simples, estruturas de decisão, classificação, agrupamento e uso de dados na construção de soluções inteligentes.
A terceira situação de aprendizagem trata de ética e implicações sociais da inteligência artificial, tema central para que os jovens desenvolvam uma visão crítica sobre decisões automatizadas, privacidade, viés algorítmico e o papel da IA na sociedade. As atividades propõem discussões sobre situações sensíveis, estudos de caso e reflexões sobre como sistemas de IA podem gerar benefícios, mas também reproduzir desigualdades, influenciar escolhas, afetar oportunidades e impactar direitos. "Mais do que ensinar a usar inteligência artificial, precisamos desenvolver pessoas capazes de tomar decisões conscientes, éticas e responsáveis em um mundo cada vez mais tecnológico." destaca Sandra Holanda, Gerente de RH na Eaton, empresa parceira da Fundação Iochpe que aderiu ao plano de ensino de IA.
Ao final da unidade curricular, os estudantes são convidados a criar uma campanha educativa, exposição ou material multimídia sobre a presença da IA no cotidiano e seus impactos. O formato pode ser cartaz, infográfico, vídeo curto, podcast, apresentação de slides, tirinha, exposição de objetos ou encenação teatral. A atividade final transforma o aprendizado em comunicação acessível e reforça uma competência estratégica para o mundo do trabalho: comunicar ideias complexas de forma clara, criativa e responsável.
Sobre a Fundação Iochpe: organização sem fins lucrativos, mantém há 36 anos o Programa Formare, referência no Brasil em qualificação profissional de jovens em situação de desvantagem socioeconômica. Mantido em parceria com empresas de médio e grande portes, oferece cursos de formação profissional inicial para o mercado de trabalho a jovens de famílias de baixa renda do ensino médio matriculados em escolas públicas. Por meio do trabalho de educadores voluntários, o programa já formou mais de 28 mil jovens, e o índice de formalização no mercado de trabalho chega a 89% dos egressos nos últimos dez anos, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Plano CDE em 2023. Os cursos são certificados pela UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) aqui no Brasil, pela UTSLP (Universidade Tecnológica de San Luis Potosí) e UTCH (Universidade Tecnológica de Chihuahua), ambas no México, UTN (Universidad Tecnológica Nacional - Facultad Regional Córdoba), na Argentina, e pela SPPU (Savitribai Phule Pune University), na Índia.
Números Formare:
Empresas parceiras: 54 | Jovens impactados em 2025: +1.000 | Educadores voluntários atuantes em 2025: + 4.000 | 54 unidades no Brasil | 6 unidades no México | 1 unidade na Argentina | 1 unidade na Índia.
Mais informações: http://www.fiochpe.org.br