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| Mesa do primeiro Painel |
No dia 14 de outubro, a ABRAPEM (Associação Brasileira dos Fabricantes de Balanças, Pesos e Medidas, Permissionários e Importadores), o SIBAPEM (Sindicato Interestadual da Indústria de Balanças, Pesos e Medidas) e a Rede Metrológica do Rio Grande do Sul, realizaram em Porto Alegre, o workshop “Metrologia Legal e Concorrência Desleal: combate às irregularidades no setor de instrumentos de medição”. O evento, sediado na Federasul – Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul, reuniu representantes da indústria, comércio e órgãos de metrologia para debater soluções conjuntas no enfrentamento à pirataria e às fraudes em instrumentos como balanças, bombas medidoras de combustíveis, termômetros clínicos e demais instrumentos de medir.
O primeiro painel, mediado por Anderson Barros (B Pró Soluções), contou com a participação de Carlos Alberto Amarante (ABRAPEM), João Carlos Lerch (Rede Metrológica RS), Jony Luce (Porto Balanças) e Edgard de Castro (AFRAC – Associação Brasileira de Tecnologia para o Comércio e Serviços). Amarante abriu o encontro alertando para o risco de desindustrialização do setor diante da expansão do mercado ilegal. “Não podemos permitir que o Brasil, sétimo país mais populoso do mundo, dependa totalmente de fornecedores estrangeiros. A pirataria enfraquece a indústria nacional, destrói empregos e engana o consumidor”, destacou.
Lerch reforçou a importância da união entre entidades e do fortalecimento das ações de fiscalização. “Esse encontro marca um esforço unificado das associações para pressionar por políticas públicas mais efetivas. Precisamos de medidas firmes para proteger a indústria legalizada e garantir condições justas de concorrência”, afirmou.
Representando o setor empresarial, Jony Luce relatou as dificuldades enfrentadas pelas empresas sérias que convivem com a presença de balanças irregulares no mercado. Ele defendeu uma campanha permanente de conscientização e maior visibilidade às ações de fiscalização. “É fundamental mostrar que o Inmetro e os IPEMs estão atuando. A divulgação de apreensões e resultados concretos gera confiança e desestimula práticas ilegais”, observou.
Encerrando o primeiro painel, Edgard de Castro (AFRAC) enfatizou a necessidade de articulação institucional para fortalecer o setor. “Precisamos transformar as discussões em ações práticas. Propomos a criação de grupos de trabalho e o uso de frentes parlamentares para levar as pautas da metrologia ao Legislativo, cobrando soluções simples e objetivas”, disse.
O segundo painel reuniu Alexandre Soratto (Imetro-SC), Joel Franceschini (SURRS – Superintendência do Inmetro no Rio Grande do Sul) e Rosana Pontes (Inmetro – Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), sob moderação de Omer Pohlmann Filho (SURRS). Franceschini destacou que as fraudes metrológicas representam não apenas uma ameaça técnica, mas também econômica e social. “A metrologia é um sistema interligado que depende da confiança e da ética de todos os envolvidos. Só com colaboração e transparência conseguiremos reduzir as irregularidades”, pontuou.
Soratto apresentou o trabalho desenvolvido em Santa Catarina no combate à fraude em bombas de combustíveis e balanças piratas, ressaltando a sofisticação das adulterações e a necessidade de capacitação constante dos fiscais. “As fraudes são planejadas e exigem uma atuação integrada entre tecnologia, inteligência e fiscalização. Nosso foco é proteger o consumidor e dar segurança às empresas que trabalham corretamente”, destacou.
Rosana Pontes encerrou o debate reforçando a importância da modernização das normas e da digitalização dos processos de fiscalização conduzidos pelo Inmetro. “Estamos avançando na padronização e na transparência das ações em todo o país, aproximando o consumidor das informações sobre conformidade e fortalecendo a credibilidade do sistema metrológico nacional”, afirmou.
O workshop da ABRAPEM, do SIBAPEM e da Rede Metrológica Sul marcou um importante passo na articulação entre o setor produtivo, as entidades representativas e os órgãos reguladores. Ao reunir lideranças técnicas e empresariais do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, o evento consolidou o compromisso conjunto de promover um ambiente de mercado mais ético, competitivo e seguro para consumidores e fabricantes.