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A nova realidade das consultas tem mais dúvidas e menos confiança
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Renata Steinbach  Diretora de Marketing da Dr. Fisiologia
Renata Steinbach Diretora de Marketing da Dr. Fisiologia

Com a confiança em baixa e o acesso crescente a informações de saúde pela internet, médicos e pacientes enfrentam novos desafios no diálogo e no diagnóstico

O uso crescente da internet para buscar informações de saúde está mudando a dinâmica nas consultas e afetando a confiança entre médicos e pacientes. Estudos mostram que, quando esse vínculo está enfraquecido, trazer conteúdos online para a conversa pode piorar a interação e dificultar o diagnóstico. Por outro lado, especialistas destacam que o acesso à informação não precisa ser um problema: com abertura e empatia por parte do médico, a internet pode se tornar uma aliada no cuidado.
Apesar da importância da confiança no atendimento médico, segundo o estudo Patient trust in the health system, Internet information searching and the patient-provider relationship, apenas cerca de um terço dos pacientes relata ter “muita confiança” no sistema de saúde. A maioria se encontra em níveis baixos ou intermediários de confiança — o que compromete a qualidade da consulta e até a adesão ao tratamento. Os resultados do estudo mostram que pacientes desconfiados com o sistema de saúde tendem a adiar consultas, ignorar sintomas ou até mesmo abandonar tratamentos, atitudes que podem comprometer sua saúde.
Entre os que confiam menos, é comum a percepção de que o médico não escutou com atenção, não respeitou o que o paciente trouxe e que a conversa piorou após menções sobre a busca de conteúdos na internet. Esse distanciamento afeta a construção do vínculo terapêutico e dificulta a colaboração entre profissional e paciente no cuidado com a saúde.
“É importante destacar um dado recente que mostra que pacientes com baixa confiança no sistema são seis vezes mais propensos a relatar uma piora na interação com o médico ao trazer informações que encontraram na internet. Isso revela um alerta: quando o elo da confiança é rompido, até conversas importantes como validação de sintomas ou dúvidas sobre tratamentos se tornam um campo de tensão, o que pode prejudicar a segurança e a qualidade do cuidado”, informa Renata Steinbach, diretora de marketing da Dr. Fisiologia.

Um ciclo vicioso entre desconfiança e internet

Quando o paciente não se sente ouvido ou compreendido, tende a buscar outras fontes de informação, principalmente na internet. A pesquisa The Effect of Online Health Information Seeking on Physician-Patient Relationships: Systematic Review sobre conteúdos de saúde na internet revelou que mais da metade das fontes avaliadas apresentava baixa qualidade, com falta de autoria identificável, ausência de referências científicas e conflito de interesses não declarados.

Essa busca de informação de baixa qualidade alimenta um ciclo vicioso: baixa confiança leva a mais buscas online, que geram atrito quando as informações divergem do que o médico recomenda. Isso pode resultar em ainda menos confiança. Os sinais de desconfiança podem surgir de forma sutil, como no desvio de olhar, nas perguntas feitas com receio, nas interrupções constantes ou no silêncio prolongado.

Muitos pacientes relatam se sentir constrangidos ou até julgados ao mencionar conteúdos que encontraram em sites ou redes sociais. Essa barreira impede o diálogo franco e cria tensão na consulta.

Como transformar a internet em aliada
O acesso à informação deu origem a um paciente mais questionador, mais atento e com desejo de participar das decisões sobre seu tratamento. Esse movimento não representa uma ameaça à autoridade médica, mas sim uma tentativa legítima de entender o que está acontecendo com o próprio corpo. O estudo Consultando o “Dr. Google”: como a busca digital por informações de saúde na internet influencia a relação médico-paciente, publicado nos Cadernos de Saúde Pública aponta que os pacientes que buscam informações online tendem a avaliar a relação com seus médicos de forma mais crítica, especialmente quando sentem que suas dúvidas foram interrompidas ou desvalorizadas.
A internet não precisa ser uma inimiga do atendimento. Quando o paciente aprende a identificar o que é informação confiável, entender como a ciência funciona e distinguir fatos de opiniões, ele se torna mais preparado para usar a internet de forma segura e consciente na hora de buscar informações sobre saúde. Já quando o profissional escuta com empatia, avalia a procedência das informações trazidas e responde com linguagem acessível, a consulta se torna mais proveitosa.
Mais de 65% dos médicos já usam as redes sociais, servindo para falar sobre saúde, educar o público e combater a desinformação. Ao se posicionarem de forma clara e acessível, esses profissionais fortalecem sua autoridade e aproximam a relação com os pacientes. Em um cenário marcado por fake news, o melhor caminho é oferecer informação de qualidade, vinda de fontes confiáveis. Nesse contexto, os profissionais de saúde atuam não só como especialistas, mas também como comunicadores.
O letramento digital em saúde (eHealth literacy) ajuda o paciente a identificar conteúdos de qualidade e a se proteger contra a desinformação. Isso facilita o diálogo e fortalece a parceria com os profissionais. “A desinformação em saúde é, hoje, uma ameaça silenciosa à saúde pública e o melhor antídoto é o conhecimento qualificado, acessível e distribuído por fontes confiáveis. Nesse cenário, os profissionais de saúde não são apenas fontes técnicas, mas também agentes de comunicação”, esclarece Renata.

Empatia do médico
A empatia médica, ou seja, a capacidade de se colocar no lugar do paciente, escutá-lo com atenção e acolher suas preocupações, é fundamental para fortalecer a relação clínica. Outro estudo, intitulado The Relationship Between the Physician-Patient Relationship, Physician Empathy, and Patient Trust, feito com mais de 3 mil pacientes na China mostrou que quanto maior a empatia percebida, maior a confiança no médico e melhor a avaliação da consulta. Os dados reforçam que o cuidado humano e o respeito pelo paciente importam tanto quanto o conhecimento técnico. Ser escutado, compreendido e tratado com empatia reduz inseguranças, diminui o conflito e favorece decisões compartilhadas sobre o tratamento.
Segundo Renata, os estudos recomendam que o profissional de saúde acolha o paciente sem julgamentos, reconheça seus sentimentos e incentive um espaço seguro para dúvidas e preocupações. “Frases como “Entendo que isso possa gerar insegurança” ou “Podemos ver isso juntos?” demonstram abertura ao diálogo e reforçam o papel do médico como parceiro no cuidado. A confiança, na maioria das vezes, começa quando o paciente percebe que está sendo ouvido e respeitado”, afirma a especialista.
Formação médica e apoio ao paciente
O cenário atual exige mudanças na formação dos profissionais de saúde. Investir em habilidades de comunicação, escuta ativa e empatia deve fazer parte da preparação médica, desde a graduação. Em vários países, estratégias como simulações, jogos e treinamentos práticos já são adotadas, e têm impacto positivo mesmo em treinamentos de curta duração.

Ao mesmo tempo, os pacientes também precisam ser apoiados no desenvolvimento de habilidades para buscar e interpretar informações confiáveis. Um público mais bem informado, com apoio técnico, tende a fazer escolhas mais conscientes e a colaborar melhor com os profissionais.

“Quando o profissional se posiciona com responsabilidade no ambiente digital, ele ajuda a construir uma sociedade mais informada, autônoma e saudável, e reforça, ao mesmo tempo, a confiança no sistema de saúde”, conclui Renata.


Dr. Fisiologia — Assessoria de Comunicação da FMRP-USP
Aline Nascimento
E-mail: assessoria@drfisiologia.com.br
Celular/WhatsApp: (16) 99136-5048

Editorias: Economia  Industria  Negócios  Propaganda e Marketing  Saúde  
Tipo: Artigo  Data Publicação: 02/04/26
Fonte do release
Empresa: Dr. Fisiologia  
Contato: Aline Nascimento  
Telefone: 16-991365048-

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