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OMS inclui medicamentos do tipo Ozempic nas estratégias globais contra a obesidade
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Nova diretriz orienta o uso de terapias com GLP-1 como parte de um cuidado contínuo, avaliando benefícios, riscos e o papel das mudanças de estilo de vida no controle da doença

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou, em dezembro de 2025, sua primeira diretriz global recomendando o uso de medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1 — como a semaglutida, substância presente em fármacos como Ozempic e Wegovy — no tratamento de longo prazo da obesidade em adultos. A medida marca uma mudança importante na abordagem mundial, reforçando a obesidade como uma condição crônica que exige cuidado contínuo e integrado.​

Inicialmente desenvolvidos para o controle do diabetes tipo 2, esses medicamentos ganharam espaço no manejo da obesidade por atuarem na regulação do apetite, da saciedade e da glicose, contribuindo para uma perda de peso clinicamente significativa quando combinados a intervenções comportamentais.​
“Nos últimos anos, entendemos com mais clareza que a obesidade não é resultado apenas de escolhas individuais, mas de uma combinação complexa de fatores biológicos, sociais e ambientais. A recomendação da OMS para o uso de medicamentos como os agonistas de GLP-1 reconhece essa complexidade e amplia as possibilidades de tratamento. Esses medicamentos ajudam a reduzir o peso e melhorar indicadores metabólicos, mas precisam estar integrados a um cuidado contínuo, que envolva alimentação adequada, atividade física e acompanhamento profissional”, explica Rafael Appel, farmacêutico e diretor científico da Dr. Fisiologia.​

A obesidade no mundo e no Brasil

A obesidade é hoje uma das condições de saúde mais prevalentes e desafiadoras no mundo. Segundo a OMS, mais de 1 bilhão de pessoas vivem com a doença, reconhecida como crônica, progressiva e reincidente, estando associada a 3,7 milhões de mortes por doenças não transmissíveis, como diabetes tipo 2 e enfermidades cardiovasculares, em 2024. Além do impacto direto na saúde, estima-se que os custos globais relacionados à condição possam alcançar 3 trilhões de dólares por ano até 2030.​

O Brasil segue a mesma tendência de crescimento. Dados do Atlas Mundial da Obesidade 2025 indicam que 31% da população brasileira vive com obesidade, enquanto 68% têm excesso de peso. As projeções apontam alta expressiva nos próximos anos, com crescimento de 33,4% na obesidade entre homens e de 46,2% entre mulheres até 2030, reforçando a urgência de estratégias eficazes para conter o avanço da doença e evitar complicações graves, como AVC e doenças metabólicas.​

O que é semaglutida e por que a OMS o recomenda

A semaglutida, originalmente indicada para diabetes tipo 2, demonstrou eficácia relevante na redução de peso corporal. “O princípio ativo pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1 — hormônio que atua na regulação do apetite, retardando o esvaziamento gástrico e aumentando a sensação de saciedade”, explica Appel. Ensaios clínicos demonstram que esses medicamentos podem promover perda de peso consistente, além de melhorar parâmetros como pressão arterial, glicemia e perfil lipídico.​

A diretriz da OMS destaca dois pontos centrais. O primeiro é que as terapias com GLP-1 podem ser usadas no tratamento de longo prazo da obesidade em adultos, uma vez que apresentam evidências de eficácia e benefícios metabólicos amplos, embora a recomendação seja condicional. O segundo é que o uso dessas terapias deve ser acompanhado de intervenções comportamentais estruturadas, como alimentação adequada, prática regular de exercícios e acompanhamento multiprofissional.​

Embora eficazes, as recomendações são consideradas condicionais devido a incertezas sobre segurança a longo prazo, custos elevados e desigualdades no acesso, especialmente em países de baixa e média renda.​
Aspectos positivos e riscos do uso da semaglutida

Os benefícios associados ao medicamento incluem, além da perda de peso, melhorias em indicadores metabólicos e redução de risco para doenças cardiovasculares e metabólicas. Entretanto, como qualquer terapia medicamentosa, o tratamento apresenta riscos e efeitos adversos que requerem atenção médica.​
Os efeitos colaterais mais comuns são gastrointestinais, como náuseas, vômitos e diarreia, geralmente nas primeiras semanas ou durante o ajuste da dose. Embora normalmente leves ou moderados, esses sintomas podem levar à suspensão do tratamento em alguns casos. A semaglutida também está associada a um risco maior de formação de cálculos na vesícula biliar, possivelmente devido a alterações na motilidade desse órgão e na composição da bile.​

Outra preocupação inicial era a possível relação com pancreatite ou câncer de tireoide. “Até o momento, estudos clínicos não mostraram aumento significativo desses riscos quando comparados ao placebo, embora doenças raras exijam acompanhamento prolongado para conclusões mais robustas”, explica Appel.​

Pacientes com retinopatia diabética prévia também demandam cuidado, pois a melhora rápida da glicemia pode causar piora temporária do quadro, assim como há relatos de lesão renal aguda associada à desidratação por vômitos intensos. No sistema cardiovascular, a semaglutida pode causar leve aumento da frequência cardíaca, sem evidências concretas de risco clínico relevante quando o uso é monitorado por um médico. “De modo geral, o perfil de segurança do medicamento é semelhante ao dos demais agonistas de GLP-1, desde que haja monitoramento contínuo”, alerta Appel.​

O que acontece quando o tratamento é interrompido

A eficácia da semaglutida depende diretamente da continuidade do tratamento e do suporte comportamental associado. O estudo STEP 1 trial extension, publicado na revista Diabetes, Obesity and Metabolism em 2022, mostrou que, um ano após a interrupção do medicamento e do suporte comportamental, os participantes recuperaram em média dois terços do peso perdido, com regressão da maior parte das melhorias metabólicas para níveis próximos aos iniciais.​

“Esse fenômeno não significa que o medicamento não funcione, mas sim que a obesidade é uma doença crônica, com mecanismos biológicos que favorecem o reganho de peso. Por isso, a interrupção do tratamento, especialmente sem manutenção de hábitos saudáveis, aumenta significativamente a chance de retorno ao peso anterior”, esclarece Appel.​

Mudança de estilo de vida continua sendo essencial

Embora as terapias com GLP-1 representem um avanço no manejo da obesidade, mudanças de estilo de vida permanecem centrais para o sucesso e a manutenção da perda de peso. Uma pesquisa que avaliou dezenas de ensaios clínicos com milhares de participantes mostrou que a combinação entre GLP-1 e intervenções comportamentais — como déficit calórico, exercícios regulares e acompanhamento psicológico — resulta em maior perda de peso e melhora de indicadores metabólicos em comparação ao uso isolado de medicamentos.​

Sem suporte contínuo, os benefícios tendem a se perder mais rapidamente, sendo que parte da perda de peso também envolve redução de massa magra, o que reforça a importância de exercícios de resistência e acompanhamento profissional para garantir resultados seguros e sustentáveis. “Medicamentos podem ampliar resultados, mas não substituem a alimentação equilibrada, a atividade física e o cuidado multiprofissional. O desafio agora é garantir acesso seguro, equitativo e baseado em evidências, para que essas terapias beneficiem a população de forma ampla e responsável”, conclui Appel.​

Rafael Appel está disponível para entrevistas sobre as novas diretrizes da OMS e os avanços no tratamento da obesidade.

Assessoria de Comunicação da Dr. Fisiologia
Eduardo Nazaré — Assessor de imprensa da Dr. Fisiologia
E-mail: assessoria@drfisiologia.com.br
Celular/WhatsApp: (16) 99136-5048

Editorias: Economia  Industria  Negócios  Saúde  Terceiro Setor  
Tipo: Artigo  Data Publicação: 17/12/25
Fonte do release
Empresa: Dr. Fisiologia  
Contato: Eduardo Nazaré  
Telefone: 16-991365048-

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