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A chegada do primeiro filho costuma ser marcada por descobertas, expectativas e, também, muitas dúvidas. Diante desse contexto, cuidado com a saúde da mulher deve começar antes mesmo da gestação e seguir ao longo de todas as fases, da preparação à adaptação no pós-parto.
Segundo a médica ginecologista e obstetra, membro da diretoria da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (SOGIMIG), Larissa Volpini, o corpo da mulher passa por transformações intensas durante a gravidez, tanto físicas quanto psicológicas, o que exige acompanhamento adequado e orientação contínua.
“As mudanças são progressivas e acontecem em todo o organismo. No início, é comum sentir cansaço, náuseas e alterações no apetite. Ao longo da gestação, surgem mudanças corporais, desconfortos físicos e também oscilações de humor, que fazem parte desse processo”, explica.
De acordo com a especialista, o cuidado com a saúde começa antes da concepção. A recomendação é que a mulher passe por uma avaliação pré-concepcional para garantir que esteja nas melhores condições possíveis para engravidar. Entre os principais cuidados estão a realização de exames, controle de doenças pré-existentes, atualização da vacinação, adoção de hábitos saudáveis e início da suplementação com ácido fólico.
“O ideal é engravidar com a saúde em dia. Isso inclui alimentação equilibrada, prática de atividade física, controle do peso e evitar substâncias como álcool e cigarro”, orienta a médica.
Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, a gestação não exige repouso absoluto ou aumento exagerado da alimentação: “Existe o mito de que a gestante precisa ‘comer por dois’ ou evitar qualquer esforço físico, mas isso não é verdade. A recomendação é manter uma alimentação equilibrada e praticar atividade física, salvo exceções específicas”, destaca.
O acompanhamento pré-natal regular é apontado como um dos principais fatores para uma gestação segura, permitindo orientação adequada e identificação precoce de possíveis complicações.
Sinais que exigem atenção
Durante a gravidez, alguns sintomas não devem ser ignorados e precisam de avaliação médica imediata. Entre eles estão sangramento vaginal, dor de cabeça intensa e persistente, alterações visuais, falta de ar, saída de líquido pela vagina e redução dos movimentos do bebê.
“É importante que a gestante saiba diferenciar o que é esperado do que pode ser sinal de alerta. Na dúvida, a orientação é sempre procurar atendimento”, reforça.
Após o nascimento do bebê, a atenção costuma se voltar quase exclusivamente ao recém-nascido, mas o cuidado com a mãe é igualmente importante: “O puerpério é um período delicado e muitas vezes negligenciado. A mulher precisa de apoio para a recuperação física e emocional, além de acompanhamento para identificar possíveis complicações”, explica.
Segundo a médica, é comum que a mulher enfrente cansaço, insegurança e dificuldades na adaptação à nova rotina. A rede de apoio da parceria, familiares, amigos e o acompanhamento profissional são fundamentais nesse momento.
“A maternidade é um processo intenso e não precisa ser vivido de forma solitária. Buscar apoio e entender que nem tudo será perfeito o tempo todo faz parte de uma experiência mais saudável”, conclui.
| Sobre a SOGIMIG - A Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais é uma entidade filiada à Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Possui cerca de 2.000 associados e trabalha para a atualização científica e para a defesa e a valorização dos profissionais da área.