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Das Marias de ontem às Marias do IBGE
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Crédito: Leandro Leal
Crédito: Leandro Leal

André Luiz Moscaleski Cavazzani*

Ao estudar o estoque de nomes da Curitiba do século 18, a historiadora Ana Maria Burmester constatou que as escolhas não eram lá muito criativas, por assim dizer, concentrando-se em poucos nomes. Quase 70% dos meninos batizados foram chamados de Manoel, Francisco, José ou Antônio. Para as meninas, Maria e Ana somavam sozinhas quase 40% das escolhas, sendo o restante dividido entre prenomes menos usuais hoje em dia: Escolástica, Gertrudes, Joaquina, Córdula.

Ao apresentar os nomes da Curitiba atual, a plataforma “Nomes no Brasil” indica que as Marias seguem ocupando em maioria esmagadora a primeira posição no ranking de nomes brasileiros, já Escolástica (0,0002% entre nomes femininos do Brasil atual), caiu em desuso em Curitiba. Entre os homens, José persiste como um dos nomes mais frequentes. Com efeito, Marias e Josés resistem ao tempo, demonstrando como nosso passado colonial define as ações que constroem o presente.

O IBGE acertou precisamente ao publicar a interessante plataforma interativa “Nomes no Brasil”. Acompanhando as redes sociais, contexto escolar e, inclusive, familiar, essa iniciativa conseguiu furar a bolha dos demógrafos, estatísticos, sociólogos e antropólogos, dando a conhecer, aos leigos e grande público, o Brasil em sua face sociodemográfica.

No caso dessa plataforma, que é interativa e amigável, está exposto, especificamente, o retrato onomástico (ramo da linguística que estuda a origem, a história e a evolução dos nomes próprios) brasileiro contemporâneo a quem o queira conhecer. Isso é ótimo, afinal, nomes não são meras palavras. A prática de nomear revela muito sobre a construção das identidades, dos desejos individuais, coletivos (conscientes ou não), dos grupos sociais, dos territórios, das nações.

Os nomes são um importante marcador social. Em Curitiba, mas também um pouco por toda parte ao sul e sudeste, estes marcadores se complexificam a partir do século XIX. Nesse século, começam levas migratórias e étnicas com práticas onomásticas específicas, trazendo novos estoques de nomes importados, segundo o historiador Sérgio Nadalin, que estudou a comunidade luterana da Curitiba antiga.

Ali, os nomes de batismo não apenas nomeavam, mas desenhavam as fronteiras simbólicas de pertencimento étnico “germânico”, bem como incorporavam adaptações e abrasileiramentos, expondo negociações culturais diante da sociedade curitibana receptora. Entre modas passageiras, escolhas conscientes e tradições familiares, o nome não só é indicativo de transformações sociais mais amplas, mas, também, de permanências.

Não menos importantes são os sobrenomes, mas a conversa é longa. Me limito a provocá-lo a buscar o seu na plataforma. Que este texto sirva de convite para que os eventuais leitores destas linhas conheçam a plataforma “Nomes do Brasil” e, enquanto navegam por estes nomes e números, compreendam também a importância dos recenseamentos. O censo é base das políticas públicas, é documento de memória nacional, é obrigação constitucional, é questão de cidadania.

*André Luiz Moscaleski Cavazzani é doutor em História e professor dos cursos de graduação e pós-graduação da UNINTER.


Editorias: Criança  Cultura e Lazer  Religião e Espiritualidade  Sociedade  
Tipo: Artigo  Data Publicação: 01/12/25
Fonte do release
Empresa: Beth Matias  
Contato: ELIZABETH AUGUSTA CARVALHO MATIAS  
Telefone: 11-996564582-

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