| Moradores e frequentadores da Praça Rosa Alves da Silva realizam, nesta segunda-feira, às 7 horas, uma manifestação.
| A subprefeitura é acusada de justificar a intervenção com informação falsa no Estudo Técnico Preliminar; obra prevê instalação de gramado sintético ao custo de R$ 1,5 milhão, com risco de dano ambiental, perda de uso comunitário e desperdício de recursos públicos.
SÃO PAULO | Moradores e frequentadores da Praça Rosa Alves da Silva denunciam graves irregularidades na obra contratada pela Subprefeitura Vila Mariana (processo SEI 6059.2025/0009037-5), já iniciada a partir de ordem emitida em 8 de dezembro de 2025 pelo fiscal do contrato, Sr. Thiago Fernandes Vieira. A intervenção prevê transformar um gramado natural amplamente utilizado pela população em um “campo de rugby”, apesar de o espaço ser majoritariamente dedicado a atividades comunitárias, esportivas e escolares.
Atualmente, o gramado — um dos últimos grandes espaços verdes multiuso do centro expandido de São Paulo — é usado para futebol, vôlei, piqueniques, lazer familiar, recreação infantil, integração de pets, prática de educação física por escolas do entorno, e outras dinâmicas fundamentais de convivência e saúde coletiva. A associação de rugby citada pela Subprefeitura utiliza o local apenas duas vezes por semana e por poucas horas, o que não caracteriza ocupação predominante nem justifica a intervenção proposta.
ETP apresenta informação considerada falsa.
A comunidade também aponta inconsistências graves no Estudo Técnico Preliminar (ETP) da obra. O documento afirma:
“Como consequência da intervenção observou-se a necessidade de revitalizar/requalificar a área que englobará o parquinho, promovendo melhorias que atendam às necessidades da comunidade local e aos diferentes perfis de usuários.”
Entretanto, o Conselho Municipal e Conselho Regional do Meio Ambiente Vila Mariana nega ter aprovado qualquer modificação no espaço, indicando que a justificativa usada para autorizar a obra não condiz com a realidade. Moradores consideram que a divergência pode caracterizar informação falsa ou distorcida em documento oficial, o que exige investigação por parte de órgãos fiscalizadores.
Impacto ambiental negativo e risco de desperdício
A obra prevê a substituição do gramado natural por gramado sintético, solução considerada inferior em termos ambientais. O material reduz a permeabilidade do solo, aumenta a temperatura local e contribui para a formação de ilhas de calor — um retrocesso significativo em uma cidade que já sofre com enchentes, baixa arborização e alta densidade urbana.
Além disso, por se tratar de uma praça pública, e não um parque com manutenção especializada, o risco de deterioração acelerada do gramado sintético é alto. A comunidade alerta que o investimento pode se transformar em prejuízo em poucos anos, pela falta de manutenção técnica adequada.
R$ 1,5 milhão do orçamento público estão envolvidos
Segundo a proposta vencedora, o valor destinado à instalação do gramado sintético e alterações no campo é de R$ 1.327.353,17, chegando a R$ 1.536.411,29 com BDI. Moradores consideram o gasto elevado e desnecessário, visto que a estrutura atual atende plenamente às necessidades da comunidade e não apresenta demanda comprovada para a intervenção.
População pede investigação imediata
Diante dos indícios de irregularidade, do impacto ambiental negativo, do risco de desperdício de recursos públicos e da ameaça ao uso social de um espaço verde essencial, a comunidade solicita que Ministério Público, Tribunal de Contas do Município, Controladoria Geral do Município e demais órgãos competentes investiguem:
• a veracidade das informações apresentadas no ETP;
• a pertinência técnica, ambiental e social da obra;
• a legalidade do processo de decisão e contratação;
• o risco de dano ao patrimônio coletivo.
Mais informações
Lina Ceschin (11) 9 7390-9835
Leonardo Rea Lé (11) 9 8996-0013
Amanda Frei Bontempi (11) 9 9310-5331