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Estudo confirma que ciclo menstrual não interfere no desempenho cognitivo de mulheres
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Estudo confirma que ciclo menstrual não interfere no desempenho cognitivo de mulheres
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Por décadas, o senso comum e até vieses do mercado de trabalho alimentaram a ideia de que as flutuações hormonais do ciclo menstrual poderiam comprometer a lógica, o foco e a tomada de decisão das mulheres. No entanto, uma recente pesquisa publicada na revista PLOS ONE, liderada pela Universidade de Melbourne, apresentou evidências definitivas de que não há ligação consistente entre as fases do ciclo e quedas no desempenho intelectual. O debate, que ganha força neste Mês da Mulher, é um passo importante para combater preconceitos que ainda barram a ascensão feminina em cargos de alta performance e liderança.

A pesquisa em questão analisou dados de 102 estudos anteriores, envolvendo cerca de 4.000 mulheres. Os pesquisadores avaliaram competências como memória de trabalho, atenção visual e habilidades verbais e espaciais. O resultado mostrou que, embora algumas mulheres relatem uma percepção subjetiva de "névoa mental" ou cansaço, os testes objetivos de qualificação técnica permanecem estáveis em todas as fases do mês.

Para a ginecologista e obstetra Amanda Roepke Tiedje, especialista em Ultrassom em Ginecologia e Obstetrícia e docente da disciplina de Saúde da Mulher no Idomed, em Cáceres (MT), é fundamental separar sintomas físicos de capacidade cognitiva. “A variação de estrogênio e progesterona pode causar desconfortos físicos, como cólicas ou alterações no sono, mas isso não anula a inteligência ou a competência técnica da pessoa. O cérebro feminino mantém sua funcionalidade plena, seja para operar um paciente, gerir uma equipe ou realizar cálculos complexos”, afirma.

A médica orienta que vale destacar que sintomas como dor, alterações do sono ou transtornos como TPM grave podem impactar o bem-estar e, de forma indireta, o desempenho, sem comprometer a capacidade cognitiva em si. “É preciso entender que o cansaço físico ou a dor podem afetar a disposição da mulher, da mesma forma que afetariam qualquer pessoa com um mal-estar pontual, mas o 'processamento' cerebral e a aptidão intelectual continuam intactos”, complementa.

Mudança Social
O dado é amparado por uma necessidade de mercado: segundo o Global Gender Gap Report do Fórum Econômico Mundial, mulheres ainda ocupam menos de 30% das posições de liderança em setores técnicos (STEM). “Meu foco, até como docente, é formar futuras médicas que atuarão em ambientes de extrema pressão. Desmistificar que a biologia é um limitador é essencial para que essas profissionais não se sintam inseguras em suas carreiras”, pontua a médica.

Para Amanda, essa evidência científica tem potencial de impactar não apenas a prática clínica, mas também as políticas de recursos humanos e a cultura organizacional. "Trata-se de uma mudança de paradigma: sair do foco no chamado “preconceito biológico” e avançar para uma abordagem centrada na saúde integral da mulher", indica.

Segundo ela, a competência técnica é acíclica. “Precisamos de ambientes de trabalho e de estudo que reconheçam e acolham as individualidades físicas, sem colocar em dúvida a capacidade intelectual das mulheres. Quando a ciência demonstra que o desempenho cognitivo se mantém estável, ela elimina um questionamento que jamais deveria ter existido”, finaliza a docente do Idomed.

Editorias: Feminina  Saúde  
Tipo: Pauta  Data Publicação: 25/03/26
Fonte do release
Empresa: Interativa Comunicação  
Contato: Thiago Alonso  
Telefone: --

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