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| Fotos de Renan Barbieri - Estudantes de Ribeirão Preto e região selecionados para o intercâmbio |
Anúncio em noite de celebração dos dez anos do projeto também teve lançamento de livro de HQs e exibição de curtas-metragens produzidos pelos participantes
Ribeirão Preto (SP), 5 de agosto de 2026 – Estudantes da rede pública de Ribeirão Preto, Serrana e Brodowski viveram, na noite desta terça-feira, 4 de agosto, um dos momentos mais aguardados do projeto “Era Uma Vez… Brasil”: o anúncio dos selecionados para o intercâmbio cultural em Portugal, previsto para acontecer de 19 a 30 novembro.
Realizado no Auditório da Faculdade de Direito da USP, em Ribeirão Preto, o encontro também marcou a celebração dos dez anos do projeto, o lançamento de um livro de histórias em quadrinhos e a exibição de quatro curtas-metragens produzidos pelos estudantes durante a fase Campus – momento de imersão em oficinas e atividades práticas do projeto.
A cerimônia reuniu participantes, familiares, professores, representantes das escolas, gestores das secretarias municipais de Educação, patrocinadores e parceiros da iniciativa. Participaram da solenidade o secretário municipal da Educação de Ribeirão Preto, Christian Viana Oliveira; a secretária municipal da Educação de Brodowski, Luzia Aparecida Mani; Silvia Bastos, representante da Secretaria Municipal da Educação de Serrana; Marici Vila, produtora executiva da Origem Produções; Lorrayne Landi, coordenadora do Campus Ribeirão Preto; Patrícia Ferreira, representante da RTE Rodonaves; e Thalita Trawitzki Momenté, representante da Brasil Salomão e Matthes Advocacia. Na abertura, o Grupo Orùnmilá também marcou presença com uma apresentação cultural ligada à valorização da cultura afro-brasileira.
Em 2026, mais de 800 estudantes e 30 professores de mais de 30 escolas públicas da região participaram da iniciativa, desde as atividades desenvolvidas em sala de aula até a imersão presencial realizada durante a fase Campus.
Intercâmbio encerra percurso iniciado nas escolas
A viagem a Portugal representa a terceira etapa do projeto e dá continuidade ao percurso formativo iniciado nas escolas. Durante o intercâmbio, os participantes terão contato com patrimônios históricos, contextos culturais e experiências educativas relacionadas aos conteúdos pesquisados e produzidos no Brasil.
Ao todo foram 12 selecionados: 8 estudantes de Ribeirão Preto, três de Serrana e um de Brodowski, além de dois professores que desenvolveram planos de ação pedagógica relacionados à educação antirracista, aos povos originários e ao protagonismo juvenil.
De Ribeirão Preto, foram contemplados os estudantes Arthur Silva Escobar, da Fundação Educandário; Cassiano Cipriano da Silva, da EE Prof. Geraldo Correa Carvalho; Karlos Eduardo Albuquerque Astolpho, da EMEF Sebastião Aguiar de Azevedo – Unidade II; Larissa Vieira Espíndola, da EMEF Vereador José Delibo; Laryssa Panicio Brante, da EMEF Prof. Anísio Teixeira; Miguel Bernardes Morgado, da EMEF Domingos Adilson Canesin; Sócrates Moreira da Silva, da EMEF Profa. Eponina de Britto Rossetto; e Sofia Ramiro da Silva, da EE Prof. Hélio Lourenço de Oliveira.
De Serrana, foram selecionados Kleber Leonardo Alves Pereira, da EE Jardim das Rosas; Wendy Rodrigues da Silva, da EMEF Professora Maria Celina Walter de Assis; e Isabella Alves Pereira, da EE Profª Neusa Maria do Bem. Brodowski será representada por Beathriz Siqueira Andrade, da EMEF Profa. Elvira Yolanda Ervas.
Também participarão do intercâmbio os professores Gustavo Zen de Figueiredo Neves, da EMEF Prof. Dr. Waldemar Roberto, em Ribeirão Preto, e Eduarda Dias da Silva, da EMEF Professora Maria Celina Walter de Assis, em Serrana.
Primeira viagem internacional
Para parte dos estudantes, a experiência será a primeira viagem de avião e o primeiro contato com outro país. Wendy Rodrigues da Silva, de 13 anos, contou que sua relação com o projeto mudou ao longo do processo. “Eu mudei completamente. Vejo as coisas com outros olhos e tudo isso graças ao Era Uma Vez… Brasil”, afirmou.
A estudante também falou sobre a expectativa para a viagem. “Eu nunca fui para fora do País. Espero conhecer o que eles aprendem e o que ensinam lá. Quero aprender tudo e mais um pouco nessa nova experiência.”
O projeto também contribuiu para o desenvolvimento da convivência e da comunicação entre os participantes. Larissa Vieira Espíndola disse que as atividades ajudaram a superar a timidez. “Conheci muitas pessoas novas e elas me ajudaram a socializar. Consegui me abrir, rir, falar sobre assuntos importantes e participar das aulas. O Campus é uma experiência que não se pode perder”, relatou.
Impacto também chega às famílias
O anúncio dos selecionados foi acompanhado pelas famílias, que participaram da cerimônia e da entrega simbólica dos barcos do projeto aos estudantes. Jorge Hilton de Espíndola, pai de Larissa, destacou a importância de uma iniciativa gratuita oferecer oportunidades que muitas famílias não conseguiriam custear.
“A gente fica muito contente porque sabe que, muitas vezes, não teria condições de oferecer a ela uma experiência como essa por conta própria. Mas mesmo assim, sempre tentamos nos esforçar ao máximo para oferecer o melhor em estudos. A Larissa é muito dedicada, e vê-la conquistar essa oportunidade é motivo de muita felicidade para toda a família”, afirmou Jorge Hilton de Espíndola, pai da estudante.
Daimon Cipriano da Silva, pai de Cassiano, também acompanhou o anúncio. “É magnífico. A gente sempre espera que os filhos possam viver momentos bons. Essa oportunidade chegou em uma fase de novas perspectivas e é muito especial poder celebrar e sentir essa emoção junto com ele”, disse.
Formação cidadã e práticas antirracistas
Além dos estudantes, dois professores da rede pública foram selecionados para participar do intercâmbio e ampliar, nas escolas, o trabalho desenvolvido ao longo da iniciativa.
O professor de Geografia Gustavo Zen de Figueiredo Neves, da EMEF Prof. Dr. Waldemar Roberto, em Ribeirão Preto, foi contemplado com o plano de ação “Educação antirracista e povos originários: por uma pedagogia revolucionária”. A proposta aborda a cultura ancestral afro-brasileira, o pertencimento dos estudantes ao território e a responsabilidade em relação ao patrimônio escolar e histórico. “O principal objetivo é a formação cidadã, o conhecimento da cultura nacional e a compreensão da pluralidade que forma o Brasil”, afirma o professor.
Também selecionada, a professora Eduarda Dias da Silva, da EMEF Professora Maria Celina Walter de Assis, em Serrana, desenvolveu o plano de ação “Rimando histórias: protagonismo negro e indígena por meio do rap”. A proposta utiliza a música e a produção de rimas como ferramentas para trabalhar identidade, representatividade e participação dos estudantes.
Para o secretário municipal da Educação de Ribeirão Preto, Christian Viana Oliveira, a iniciativa amplia as oportunidades oferecidas aos estudantes da rede pública. “Quantas escolas públicas no Brasil conseguem oferecer um projeto de intercâmbio para crianças que estão no chão da escola pública? Muito poucas”, declarou.
Ele também ressaltou o papel dos professores e das famílias nesse percurso formativo. “Os professores começam esse trabalho dentro da escola e mostram a importância indígena e afro-brasileira. Depois, os estudantes participam da imersão e descobrem o quanto já aprenderam e o quanto têm para compartilhar.”
Livro reúne histórias criadas por estudantes
Durante a cerimônia, o público conheceu o livro de histórias em quadrinhos produzido pelos estudantes a partir do tema “Quem conta a nossa história? A participação indígena e afro-brasileira na formação do Brasil”.
As HQs são resultado de uma ação formativa iniciada nas escolas no primeiro semestre e aprofundada durante a fase Campus. Ao longo do processo, os participantes pesquisaram a presença indígena e afro-brasileira na construção do país e discutiram temas relacionados à memória, identidade, arte, ciência e resistência.
A publicação reúne trabalhos de 21 estudantes de Ribeirão Preto, Serrana e Brodowski. Após o lançamento, os jovens participaram de uma sessão de autógrafos e entregaram exemplares ao público.
Para Marici Vila, produtora executiva da Origem Produções, a participação de diferentes instituições é essencial para a continuidade do projeto. “Sem as secretarias de Educação, o patrocínio e apoio das empresas e a abertura das portas, não conseguimos chegar aos estudantes e às escolas. Essa rede é fundamental”, afirmou.
Ela também destacou o papel dos jovens e das famílias. “Os estudantes e seus familiares foram e são protagonistas de tudo isso. Cada pessoa que entra no projeto deixa um pouco de si e também leva uma parte dessa experiência.”
Curtas-metragens apresentam o olhar dos participantes
O público também assistiu aos quatro curtas-metragens criados durante a etapa Campus: “História do Nome”, da turma Kaimbé; “O Filme da Vida”, da turma Payayá; “A Tradição da Mangueira”, da turma Atikun; e “Todo Mundo Odeia o VAR”, da turma Pataxó. As produções, que foram desenvolvidas durante uma imersão de sete dias, na qual os estudantes participaram de oficinas de roteiro, interpretação, fotografia, som e produção audiovisual, podem ser assistidas pelo Instagram: http://www.instagram.com/eraumavezbrasil/
A proposta foi utilizar a linguagem cinematográfica para estimular a pesquisa, o trabalho coletivo e a construção de novas narrativas sobre a história e a diversidade cultural brasileira.
Parcerias viabilizam continuidade do projeto
Segundo Marici Vila, a continuidade do projeto depende da articulação entre poder público, escolas, patrocinadores e apoiadores. “Um projeto como o Era Uma Vez… Brasil é construído por uma rede de instituições que acreditam na educação e na cultura como instrumentos de transformação. Em Ribeirão Preto e região, temos a parceria das secretarias de Educação, o patrocínio da RTE Rodonaves e o apoio da Brasil Salomão e Matthes Advocacia”, afirma.
A produtora executiva destaca que a Lei Federal de Incentivo à Cultura é o mecanismo que torna essa articulação possível. “A Lei Rouanet é uma política pública do Ministério da Cultura que permite transformar o investimento das empresas em acesso à cultura, formação e novas oportunidades para estudantes da rede pública. É por meio desse mecanismo que o projeto chega às escolas, aos professores, aos jovens e às suas famílias”, completa.
Representando a RTE Rodonaves, Patrícia Ferreira afirmou que o projeto permite que os patrocinadores acompanhem de perto o impacto da iniciativa. “O Era Uma Vez… Brasil mostra o impacto de conhecer a nossa cultura, conviver, aprender coisas novas e ter a possibilidade de viajar. Mas também mostra o poder do aprendizado. Nós recebemos os relatórios, mas chegar aqui, ver as famílias e acompanhar a expectativa dos estudantes é o que realmente importa”, declarou.
Thalita Trawitzki Momenté, representante da Brasil Salomão e Matthes Advocacia e gestora do Instituto Brasil Salomão, ressaltou a contribuição do projeto com a formação dos jovens. “O projeto tem relação direta com aquilo em que acreditamos: os jovens, a educação e o desenvolvimento do pensamento crítico - uma habilidade fundamental para o futuro. Ela também destacou a sustentabilidade como a capacidade de gerar impactos duradouros. “São aprendizados e experiências que esses estudantes levarão para o restante da vida”, afirmou.
Dez anos de história
Criado em 2016, o “Era Uma Vez… Brasil” completa dez anos em 2026. Nesse período, passou por 35 cidades de seis estados, envolveu 500 escolas públicas e impactou mais de 22,6 mil adolescentes.
A iniciativa contabiliza 28.058 estudantes inscritos, mais de 17.132 histórias em quadrinhos e vídeos produzidos e 777 estudantes e professores contemplados com experiências de intercâmbio internacional em Portugal.
Em 2026, o projeto acontece simultaneamente em nove cidades de três estados brasileiros: Salvador, Mata de São João, Camaçari e Jacobina, na Bahia; Recife e Belo Jardim, em Pernambuco; e Ribeirão Preto, Serrana e Brodowski, em São Paulo. A edição reúne atividades pedagógicas, oficinas artísticas, produções audiovisuais e experiências de intercâmbio cultural.
Produzido pela Origem Produções, o projeto é realizado pelo Ministério da Cultura e pelo Governo Federal, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura — Lei Rouanet —, com patrocínio do Grupo Moura, Rodonaves e Jacobina Mineração; apoios de Brasil Salomão e Matthes Advocacia, Tronox, Tivoli, Civil Construtora e Copenor; além da parceria com as secretarias de Educação dos municípios participantes.
Canais do projeto:
http://www.eraumavezbrasil.com.br/
http://www.youtube.com/
http://www.instagram.com/eraumavezbrasil/