Entidades alertam sobre tratamento de doenças que não podem ser interrompidos
Yussif Ali Mere Jr.

SindHosp, Fehoesp –  Sindicato e Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo – e a Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde), juntamente com federações que representam estabelecimentos de saúde privados de todo o país, lançaram uma campanha de alerta a pacientes, sociedade, entidades médicas, personalidades, autoridades do setor e profissionais de saúde que tratam de doenças que demandam terapias e cuidados que não devem ser interrompidos.

“O objetivo é evitar o agravamento no quadro de pacientes que dependem de tratamento contínuo para garantir a qualidade de vida ou mesmo a própria sobrevivência”, afirma o presidente da Fehoesp e do SindHosp, Yussif Ali Mere Jr. Cardiologia, oncologia, nefrologia (hemodiálises), obstetrícia (pré-natal), entre outras, estão no foco do esforço, assim como os cuidados pós-operatórios.

Levantamento realizado pelo IEPAS - Instituto de Ensino e Pesquisa na Área da Saúde traçou um panorama de como os hospitais paulistas estão lidando com a pandemia. A pesquisa mostrou que a grande maioria dos hospitais (86,4%) teve diminuição do número de atendimentos e procedimentos em decorrência da pandemia de Covid-19. Apenas 14,3% dos hospitais afirmaram estar realizando cirurgias eletivas de acordo com a agenda pré-estabelecida antes da pandemia. 33,3% dos respondentes afirmaram estar avaliando caso a caso e 28,6% só estão realizando cirurgias em casos de urgência/emergência. 27,6% dos entrevistados apontam aumento dos custos operacionais e dificuldades de negociação com as operadoras de saúde. 

A campanha também convoca médicos e unidades de saúde a ecoar o alerta, já que as condições necessárias para a continuidade, em segurança, dos tratamentos estão garantidas. As medidas adotadas pelas instituições de saúde são:

Entradas separadas.
Postos avançados criados especialmente para atender pacientes não-Covid.
Treinamento reforçado de profissionais sobre o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s).
Testagem constante de profissionais em contato com o coronavírus.
“Os médicos são atores principais desse esforço. Por isso, são convidados a participar ativamente da campanha, fortalecendo o contato com seus pacientes e tranquilizando-os”, acrescenta Yussif.

Além das medidas adotadas pelos estabelecimentos de saúde, os pacientes também devem adotar protocolos de segurança para sair de casa em segurança, evitar locais com aglomeração e usar máscaras.

Hemodiálise

Em Ribeirão Preto, a maior clínica de hemodiálise adotou medidas de prevenção desde o início do isolamento imposto pela pandemia do novo coronavírus. Dentre as medidas, a triagem por meio de avaliação médica e sala de isolamento para casos suspeitos. Os serviços ambulatoriais eletivos (consultas médicas), que atendiam cerca de 300 pacientes do SUS, convênios e particulares por mês, foram suspensos.

Há, segundo a médica nefrologista Maria Fernanda Ali Mere, dificuldades para a implantação das medidas de segurança. “Além da indisponibilidade para comprar os equipamentos de proteção, os preços subiram muito. Nosso atendimento é majoritariamente SUS e, com a tabela de preço fixo, assumimos o custo sem repassar. Além dos EPIs, os preços dos insumos têm aumentado muito, especialmente a heparina, e a tabela do SUS não é reajustada há 3 anos”, explica.

Em Ribeirão Preto, cerca de 1.000 pessoas fazem hemodiálise, segundo a médica nefrologista Maria Fernanda, que atende a 40% da demanda pelo serviço em Ribeirão Preto, incluindo pacientes do SUS e particulares. Ela orienta os renais crônicos a usar máscaras de proteção, industrializadas ou caseiras. Todos passam por uma triagem para avaliar a temperatura e a possibilidade de comprometimentos respiratórios. Se constatado algum sintoma, o paciente é orientado a fazer o isolamento domiciliar até ser avaliado na próxima sessão de hemodiálise.

Editorias: Saúde  
Tipo: Pauta  Data Publicação: 03/07/20
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