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| Médico e gestor público, Roberto Rangel |
São Paulo já soma 26 casos em 2026; especialista alerta para importância de manter esquema vacinal completo
O avanço do sarampo em São Paulo voltou a colocar a vacinação no centro das atenções no Brasil. O estado já contabiliza 26 casos confirmados em 2026, sendo 23 na capital, dois em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos.
Entre os casos registrados, 19 ocorreram em pessoas não vacinadas ou com esquema vacinal incompleto. As três confirmações mais recentes envolvem duas crianças com menos de um ano e uma mulher na faixa dos 30 anos, todas sem histórico de vacinação.
O alerta também interessa ao Rio de Janeiro. Em abril, o estado confirmou um caso de sarampo após quatro anos sem registros. Desde então, ações de imunização foram reforçadas e a vacina segue disponível nas unidades da rede pública.
Para o médico e presidente da RioSaúde Roberto Rangel, o momento traz de volta uma discussão que marcou a pandemia de Covid-19: o impacto da desinformação e da hesitação vacinal sobre a saúde da população.
“Durante a Covid, vimos de perto o quanto a desinformação e a dúvida em relação às vacinas podem custar caro. Atendemos pessoas gravemente doentes que tiveram a oportunidade de se vacinar e não se vacinaram. Não podemos esquecer essa experiência. O sarampo é uma doença que sabemos prevenir e temos uma vacina segura e disponível há décadas. Manter o esquema vacinal completo é uma proteção individual, mas também uma responsabilidade coletiva”, relembra Roberto Rangel, que também é médico de Família e Comunidade.
Rangel dirigiu o Hospital Municipal Ronaldo Gazolla durante a pandemia, quando a unidade se tornou referência no atendimento a pacientes com Covid-19 no Rio de Janeiro.
O cenário de preocupação vai além do Brasil. As Américas vivem o maior número de casos de sarampo dos últimos 22 anos. Até 18 de julho, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) contabilizava 47.459 casos e 44 mortes em 2026.
A entidade aponta as lacunas na imunização como um dos fatores que favorecem a retomada da doença e recomenda cobertura de pelo menos 95% com duas doses da vacina contra o sarampo.
No Rio de Janeiro, quando o caso de abril foi confirmado, a cobertura da primeira dose da tríplice viral estava em 96,65%, enquanto a segunda dose alcançava 84,39%, abaixo da meta recomendada.
“A vacina foi justamente o que fez muitas dessas doenças desaparecerem do nosso cotidiano. Quando deixamos de enxergá-las, é fácil perder a percepção do risco. Mas o vírus não desapareceu do mundo. Se a cobertura cai, ele encontra novamente pessoas suscetíveis”, alerta Rangel.
O Brasil mantém o status de país livre da transmissão endêmica do sarampo. A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, está disponível gratuitamente pelo SUS. A orientação é verificar a carteira de vacinação e completar eventuais doses em atraso.