Professora do Unipê detalha avanços na prevenção, tratamento e reforça a importância do diagnóstico precoce
Durante o Dezembro Vermelho, campanha nacional de conscientização sobre o HIV/AIDS, ganha destaque a necessidade de combater desinformação e estigmas que ainda cercam o vírus. Apesar dos avanços na área da saúde, dúvidas e preconceitos seguem dificultando a prevenção, o diagnóstico precoce e a inclusão social. Para esclarecer esses pontos, a professora de Medicina do Centro Universitário de João Pessoa (Unipê), Larissa Negromonte, aborda os principais desafios e orientações sobre o tema.
De acordo com a docente, um dos mitos mais persistentes é a crença de que pessoas vivendo com HIV não podem ter filhos sem transmitir o vírus. “Sempre converso sobre isso com os pacientes. Quando o tratamento é realizado corretamente e o exame mostra que o paciente está indetectável, não há transmissão sexual do vírus, e é totalmente possível ter filhos sem HIV. O tratamento antirretroviral possibilita isso”, explica.
Outro tabu é a percepção equivocada de que o diagnóstico de HIV representa uma sentença de morte. Com os avanços da medicina, porém, o cenário é completamente diferente: quando iniciado precocemente, o tratamento permite controlar o vírus, reduzir significativamente o risco de adoecimento e assegurar uma expectativa de vida comparável à da população geral.
A prevenção, segundo a especialista, pode ser incorporada ao cotidiano de diversas maneiras. Ela destaca o uso do preservativo, a testagem periódica e a chamada prevenção combinada. “A PrEP é uma medida preventiva antes da exposição sexual, disponível no SUS. Já a PEP é indicada após situações de risco, como relação sexual desprotegida, violência sexual ou acidentes com material perfurocortante. O ideal é que seja iniciada o mais rápido possível, até 72 horas após a exposição, e usada por 28 dias”.
Os testes rápidos de HIV estão amplamente disponíveis no SUS e devem ser realizados por pessoas sexualmente ativas ou expostas a situações de risco. O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento rapidamente, prevenindo quadros graves de imunossupressão e garantindo que pessoas com carga viral controlada não transmitam o vírus sexualmente.
Sobre os grupos mais afetados, Larissa comenta que a vulnerabilidade não está no grupo, mas nas práticas. “Não é a identidade que define o risco, mas as práticas sexuais. Todas as pessoas que se expõem devem buscar testagem e adotar medidas preventivas”, ressalta.
Os avanços no tratamento também merecem destaque. Atualmente, existem medicamentos mais eficazes e com menos efeitos colaterais, o que facilita a adesão. Em muitos casos, o tratamento pode ser realizado com apenas um ou dois comprimidos por dia.
Por fim, a professora deixa um recado importante: “Não tenham medo de fazer o teste de HIV. Quanto mais precoce o diagnóstico, mais rápido controlamos o vírus. E reforça: o paciente indetectável não transmite o HIV sexualmente. Além disso, o uso de preservativo também ajuda a prevenir outras ISTs, como sífilis e gonorreia”, finaliza.
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