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As vendas online no Brasil cresceram 14% em valor movimentado e 9% em número de pedidos no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O avanço foi acompanhado pelo aumento do tíquete médio, pela consolidação das compras realizadas por dispositivos móveis e por uma aceleração das vendas nos meses de maio e junho, que concentram duas das principais datas comemorativas do varejo nacional.
Os dados fazem parte de um levantamento da Admitad, empresa global de tecnologia e marketing de performance, em parceria com a Udora, marketplace global de entrega de flores e presentes que atua em mais de 50 países, incluindo o Brasil. A análise considerou mais de 2,4 milhões de pedidos realizados no comércio eletrônico brasileiro durante o primeiro semestre de 2025 e 2026.
Compras por dispositivos móveis consolidam nova fase do e-commerce
A participação das compras realizadas por dispositivos móveis passou de 45% para 50% na comparação anual, enquanto o tíquete médio avançou de US$ 49 para US$ 56. Os marketplaces seguiram concentrando a maior parte das vendas online, respondendo por cerca de 68% de todos os pedidos realizados no país no período.
O movimento reforça uma mudança no comportamento do consumidor brasileiro, que passou a utilizar o celular não apenas como ferramenta de pesquisa, mas também como principal canal para concluir compras. Ao mesmo tempo, os marketplaces seguem concentrando grande parte dessa jornada, reunindo diferentes vendedores, categorias e opções de entrega em um único ambiente digital.
"O celular deixou de ser apenas um canal complementar e se tornou o principal ponto de contato entre consumidores e varejistas. Esse movimento acompanha uma busca crescente por conveniência, velocidade e experiências mais personalizadas durante toda a jornada de compra", afirma Anna Gidirim, CEO da Admitad.
Presentes ampliam espaço para além das grandes datas
Os números também mostram uma mudança no ritmo das vendas ao longo do semestre. Depois de um início de ano mais moderado, maio e junho registraram volumes de pedidos 11% e 15% acima da média mensal de 2026, respectivamente. Para a Admitad, o desempenho reflete a força de datas como o Dia das Mães e o Dia dos Namorados, que tradicionalmente estimulam compras planejadas e de maior valor agregado. Entre os segmentos que acompanharam esse movimento está o mercado de presentes, beneficiado pelas principais datas do varejo, mas que também vem ampliando sua relevância em outras ocasiões ao longo do ano.
Na Udora, especializada em presentes, a força do calendário sazonal também apareceu nos resultados do semestre. Entre janeiro e junho de 2026, o volume de pedidos cresceu 33% e o valor das vendas aumentou 41%. Os destaques foram as categorias de flores e presentes, que responderam por mais de 80% do valor movimentado na plataforma e, ainda assim, registraram crescimento de aproximadamente 75% no período. Segundo a empresa, esse desempenho também acompanha uma valorização crescente de floristas, confeitarias e produtores locais, que conseguem oferecer presentes personalizados e experiências mais exclusivas aos consumidores.
"As datas comemorativas continuam sendo fundamentais para o nosso segmento, mas o que mais chama atenção é que esse comportamento começa a se espalhar ao longo do ano. Cada vez mais consumidores utilizam plataformas digitais para enviar presentes também em aniversários, conquistas pessoais e outras ocasiões, ampliando o potencial desse mercado para além do calendário tradicional e valorizando negócios locais que oferecem produtos mais personalizados", afirma Mikhail.
Moda permaneceu como a principal categoria do comércio eletrônico brasileiro, representando 35% dos pedidos no semestre, seguida por eletrônicos (16%) e casa e decoração (13%). Entre os segmentos que mais cresceram, destaque para joias e acessórios, com alta de 17%, roupas femininas (11%) e passagens rodoviárias (10%). Nos serviços digitais, soluções B2B online avançaram 38%, educação online cresceu 27% e plataformas SaaS registraram aumento de 16%.
Segundo semestre deve manter crescimento, mas em ritmo diferente
Outro movimento observado pela Admitad foi a redução da participação das compras realizadas com cupons e códigos promocionais, que caiu de 35% para 31% na comparação anual. O movimento sugere um consumidor menos dependente de descontos para concluir suas compras e mais propenso a priorizar fatores como conveniência, experiência e variedade na escolha de onde comprar. Se o comportamento observado no primeiro semestre se mantiver, a expectativa é que dispositivos móveis, marketplaces e datas sazonais continuem entre os principais vetores de crescimento do comércio eletrônico brasileiro ao longo do restante de 2026.
"O segundo semestre costuma trazer uma dinâmica diferente para o varejo brasileiro. Há menos datas tradicionalmente associadas à troca de presentes, além de fatores que influenciam o comportamento do consumidor, como grandes eventos esportivos e o calendário eleitoral. Ainda assim, acreditamos que a busca por presentes continuará sustentada por ocasiões pessoais, como aniversários, celebrações familiares e conquistas individuais, que vêm ganhando cada vez mais relevância nas plataformas digitais", afirma Mikhail.