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| BIM permite integrar modelos, dados e diferentes disciplinas em um ambiente coordenado, facilitando identificação de incompatibilidades e tomada de decisões ao longo dos projetos (Imagem gerada com IA |
O avanço das construções sustentáveis no Brasil está aumentando também a complexidade dos projetos de arquitetura e engenharia. O país registrou em 2024 um recorde de 280 empreendimentos certificados pelos programas do Green Building Council Brasil (GBC Brasil), além de 316 novos projetos registrados para certificação. O movimento continuou em 2025 e o mercado brasileiro chegou a cerca de 75 milhões de metros quadrados de empreendimentos registrados ou certificados em aproximadamente 350 municípios.
Para a Graphisoft, empresa do Grupo Nemetschek e desenvolvedora global de soluções BIM (Building Information Modeling) para arquitetura e projetos multidisciplinares, a expansão das construções de alto desempenho reforça a importância da coordenação digital. À medida que os empreendimentos incorporam mais requisitos relacionados a eficiência energética, água, materiais, resíduos, conforto, qualidade ambiental e emissões de carbono, aumenta também o volume de informações e decisões que precisam ser coordenadas entre arquitetura, estruturas, sistemas prediais e outras disciplinas.
Nesse cenário, o BIM ganha relevância não apenas como tecnologia de modelagem, mas como metodologia para concentrar e organizar informações de diferentes especialidades em um ambiente coordenado de projeto. A abordagem permite manter modelos e documentação alinhados, identificar incompatibilidades antes da execução e reduzir o risco de que alterações realizadas por uma disciplina gerem inconsistências em outras partes do projeto.
Sustentabilidade amplia necessidade de integração
A evolução das certificações mostra que a sustentabilidade vem deixando de ser um atributo isolado para influenciar decisões centrais de projeto, construção e operação. Segundo o GBC Brasil, os empreendimentos certificados no país já abrangem escritórios corporativos, centros logísticos, varejo, edifícios residenciais e de uso misto, entre outras tipologias.
Essa transformação aumenta a interdependência entre decisões técnicas. Características da envoltória de um edifício, por exemplo, podem afetar simultaneamente consumo energético, conforto térmico e dimensionamento dos sistemas prediais. Materiais e soluções construtivas, por sua vez, podem influenciar desempenho ambiental, estrutura, custos e requisitos de certificação.
O BIM permite que essas informações sejam desenvolvidas e coordenadas a partir de modelos digitais compartilhados. Em vez de cada disciplina trabalhar de maneira isolada, arquitetos, engenheiros e demais profissionais conseguem visualizar interferências, avaliar impactos de alterações e manter as informações do projeto consistentes ao longo de seu desenvolvimento.
A coordenação digital também permite antecipar parte da resolução de problemas para fases anteriores à obra. Incompatibilidades que poderiam aparecer somente durante a execução podem ser identificadas ainda no ambiente de projeto, quando mudanças tendem a ser menos complexas e custosas.
BIM como base para projetos mais complexos
Para apoiar esses fluxos de trabalho, o ecossistema da Graphisoft reúne soluções voltadas às diferentes etapas e disciplinas dos projetos. O Archicad, principal software BIM da companhia, permite desenvolver e documentar projetos de arquitetura e engenharia em um ambiente integrado, enquanto o MEP Designer possibilita modelar, coordenar e documentar sistemas prediais diretamente no ambiente BIM.
O BIMcloud apoia a colaboração em tempo real entre equipes, inclusive em projetos que envolvem profissionais trabalhando em diferentes locais, enquanto o BIMx permite compartilhar e explorar modelos BIM em dispositivos móveis e na web, ampliando o acesso às informações por diferentes participantes dos projetos.
A estratégia da Graphisoft também está baseada no conceito openBIM, com suporte a padrões abertos que facilitam a troca de informações entre diferentes softwares e agentes da cadeia de arquitetura, engenharia e construção. A proposta é permitir que modelos, documentos e dados circulem de maneira mais consistente entre as diferentes disciplinas — uma capacidade que ganha relevância à medida que os projetos incorporam mais requisitos técnicos, ambientais e de desempenho.