No Brasil, 1º de Maio é considerado um dia de descanso obrigatório, ou seja, feriado nacional e não um ponto facultativo. A data também é celebrada mundialmente e é o momento de refletir sobre os direitos trabalhistas. Devido a fatores externos, como guerras, tarifaços e demais ações, o poder de compras dos brasileiros tem ficado defasado. E por conta deste cenário, três especialistas dão dicas preciosas para as pessoas produzirem uma alimentação qualificada, ajudando o bolso dos trabalhadores e sua saúde.
Segundo a Dra Anete Mecenas, nutricionista e professora da Estácio, a dieta perfeita para o trabalhador baseia-se em um padrão semelhante a Dieta Mediterrânea só que adaptada ao Brasil. Na opinião dela, é possível montar uma marmita saudável composta por arroz e feijão (excelente perfil de aminoácidos), além de ovos, ou frango ou sardinha (proteínas) e legumes e verduras da estação. Mas ela faz um alerta, se algum item for frito é recomendável uso de óleo de soja. E para sobremesa, ao invés de doces industrializados, vale levar para o trabalho banana, ou maçã ou mamão.
A especialista comenta que as melhores embalagens para acondicionar as refeições caseiras são as feitas de vidro, pois são inertes e não liberam compostos, porém os trabalhadores podem usar as de plásticos BPA free, mas na hora de esquentar as marmitas, o vidro é sempre o mais adequado. Outra dica importante é resfriar os alimentos logo após o preparo, armazenando-os em 5º C. Para evitar que a quentinha estrague no meu do caminho - da casa para o trabalho - a nutricionista recomenda o uso de bolsa térmica, evitando assim alguns patógenos como Salmonella e Escherichia coli. "Para evitar que a refeição estrague, devemos mantê-la fora da “zona de perigo”, de 5 °C a 60 °C e não deixá-la 2 horas em temperatura ambiente. Neste caso, a higiene deve ser rigorosa no preparo, controlando o binômio tempo e temperatura", explica a nutricionista.
Anete Mecenas informa que os alimentos congelados podem ser nossos aliados, com a correria da vida moderna, basta congelá-los a - 18º C. O tempo seguro para preservar nutrientes e reduzir desperdício é de até 3 meses para refeições prontas. Já a carne, o prazo vai de 3 a 6 meses. Com relação à ingestão de líquidos durante as refeições, ela diz que é possível sim, mas sem excesso, pois grandes volumes podem comprometer a digestão, principalmente em indivíduos com refluxo ou gastrite. E o famoso cafezinho? A dose segura vai até 400mg/dia, ou seja, de 3 a 4 xícaras, porém devemos evitar a bebida em jejum se sensível (gastrite/refluxo) e após às 16h para não afetar nosso sono. Mas calma, o café também é importante para mantermos foco e desempenho cognitivo.
Levar marmita é mais econômico do que comer na rua
Segundo Marina Prieto, professora e coordenadora do curso de Ciências Contábeis da Estácio, levar marmita para o trabalho é, na maioria dos casos, uma decisão financeiramente mais eficiente. “Ao preparar as próprias refeições, o trabalhador consegue ter maior controle sobre os custos dos ingredientes, além de aproveitar compras em maior quantidade e evitar os preços mais elevados praticados por restaurantes, que incluem despesas operacionais, impostos e margem de lucro. Ao longo do mês, essa diferença tende a gerar um impacto significativo no orçamento doméstico”, diz.
A especialista também destaca que o hábito de levar comida de casa contribui para um consumo mais consciente. “Quando a pessoa prepara a própria refeição, ela tende a planejar melhor o que vai consumir, reduzir desperdícios e evitar gastos impulsivos, comuns quando se come fora com frequência. Esse comportamento favorece uma relação mais equilibrada com o dinheiro, alinhando as escolhas do dia a dia com objetivos financeiros de médio e longo prazo”, explica.
Além da economia direta, Marina ressalta que há um ganho indireto importante relacionado à saúde. “Uma alimentação mais equilibrada pode reduzir gastos futuros com tratamentos médicos e ainda impactar positivamente na produtividade no trabalho. Ou seja, a marmita não é apenas uma alternativa mais barata no curto prazo, mas uma escolha estratégica que combina economia, planejamento e qualidade de vida”, conclui.
O que fazer quando ingerimos alimentos estragados e passamos mal
O médico Alberto Falabella, professor do IDOMED, apresenta 4 passos que compõem os principais elementos para segurança alimentar. O primeiro é limpar (lavar as mãos, superfícies e utensílios constantemente, além de higienizar vegetais que serão consumidos crus; o segundo é separar (manter alimentos crus, especialmente carnes, longe dos cozidos ou prontos para consumo para evitar a contaminação cruzada); o terceiro cozinhar (garantir que os alimentos atinjam a temperatura interna adequada para eliminar bactérias e parasitas) e o quarto é resfriar (refrigerar alimentos perecíveis e sobras rapidamente, não os deixando expostos à temperatura ambiente por mais de duas horas).
O gastroenterologista aponta o que as pessoas podem fazer se começarem a passar mal após a ingestão de alguma comida estraga. "Hidrate-se intensamente com soro ou água em pequenos goles para repor perdas, repouse o sistema digestivo adotando uma dieta leve, como arroz, batata e frutas cozidas. Evite automedicação, especialmente remédios que prendem o intestino sem aval médico. Em seguida, monitore sinais de alerta, como febre persistente, sangue nas fezes ou desidratação e, por fim, busque ajuda médica se os sintomas não melhorarem em 24h ou em grupos de risco", comenta Drº Alberto Falabella.