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Para muitos pais, o ronco de uma criança pode parecer apenas um detalhe do sono. Mas quando ele é frequente, acompanhado de pausas na respiração, sono agitado ou respiração pela boca, pode ser um sinal que merece investigação.
O assunto estará em discussão durante o COBRAC 2026, congresso brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial que será realizado em Natal, de 26 a 28 de agosto. Entre os temas da programação científica está a conferência “Beyond the Snore: Childhood Sleep Disorders...”(Além do Ronco: Distúrbios do Sono na Infância), dedicada aos distúrbios do sono na infância.
O tema tem impacto direto na rotina de famílias brasileiras. Estudos nacionais apontam que o ronco habitual pode atingir uma parcela significativa das crianças. Uma revisão publicada na literatura científica brasileira estima prevalência de ronco habitual entre 5,2% e 34,45% em crianças de 3 a 13 anos, dependendo da população estudada e dos critérios utilizados.
Em outro estudo realizado com 753 crianças brasileiras de cinco anos, 29,4% apresentavam ronco, enquanto 7% apresentavam interrupções da respiração durante o sono, segundo informações dos responsáveis.
O alerta dos especialistas é que roncar não significa necessariamente ter apneia do sono. O chamado ronco primário pode ocorrer sem alterações importantes da respiração durante o sono. Por outro lado, a presença de pausas respiratórias, dificuldade para respirar, sono muito agitado ou respiração bucal pode justificar uma avaliação médica.
A síndrome da apneia obstrutiva do sono na infância é estimada em cerca de 1% a 4% da população pediátrica em referências brasileiras. Entre suas possíveis repercussões estão alterações do desenvolvimento, comportamento e aproveitamento escolar, além de consequências cardiovasculares em casos mais importantes.
Outro ponto importante é que os sinais da apneia infantil podem ser diferentes daqueles observados em adultos. Além do ronco, a criança pode apresentar sono agitado, respiração pela boca, pausas respiratórias, sudorese noturna, alterações de comportamento e dificuldades de aprendizagem.
É justamente nessa interface entre respiração, crescimento facial e sono que a cirurgia bucomaxilofacial pode assumir papel relevante. Alterações craniofaciais estão entre os fatores que podem predispor a distúrbios respiratórios do sono, tornando a avaliação multidisciplinar importante para determinados pacientes.
Para os especialistas reunidos no COBRAC, a mensagem para as famílias é simples: o ronco infantil frequente não deve ser automaticamente considerado normal. Observar a qualidade do sono e conversar com o pediatra ou especialista quando houver sinais persistentes pode ajudar a identificar precocemente possíveis distúrbios.