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Encontro discutiu aprovação de medicamento para tratamento de mieloma no Brasil
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A doença é o segundo tipo de câncer hematológico mais frequente e pode ser tratada com melhor qualidade de vida

Pacientes com Mieloma Múltiplo, a segunda doença mais frequente entre os cânceres de sangue, à frente até da leucemia, agora contam com a lenalidomida – menos no Brasil. A eficácia deste medicamento é provada por estudos clínicos em diversas partes do mundo no tratamento de pacientes com mieloma, mas ainda não é aprovado em nosso país. Para esclarecer melhor o assunto para a população, a International Myeloma Foundation (IMF) promoveu um encontro com jornalistas dos maiores meios de comunicação de todo o país com especialistas no dia 07 de março no hotel Fasano, em São Paulo.

O Mieloma Múltiplo é um câncer da medula óssea complexo, causado pelo crescimento descontrolado de células plasmáticas, atacando e destruindo o osso. Embora os idosos sejam os mais atingidos, pessoas jovens também contraem a doença, sendo que, calculam-se 17 mil novos casos por ano.

Comercializado como Revlimid®, a lenalidomida é um agente imunomodulador, ou seja, um medicamento que pode modificar ou regular o funcionamento do sistema imune, melhorando a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes. Estes agentes tem apresentado múltiplas ações, incluindo atividades anti-cancerosas e anti-inflamatórias.

Além disso, Revlimid® pode atuar de modo sinérgico com outros agentes anti-mieloma e matar células de mieloma que sejam resistentes à terapia convencional. Os benefícios do medicamento foram confirmados em estudos internacionais, como o desenvolvido no MD Anderson Câncer Center, nos Estados Unidos, que teve participação de cientistas da Austrália, Israel e Europa.

Usado em mais de 80 países, o Revlimid já foi aprovado pela EMEA (Agência Europeia de Medicamento) na Europa, e pelo FDA (Food and Drug Administration) nos Estados Unidos, em 2006. No Brasil, os pacientes aguardam a liberação do medicamento pela Anvisa, que está em processo de aprovação há cerca de três anos, dificultando o acesso ao medicamento pelos pacientes.

Durante este tempo, muitas ações tem sido realizadas para acelerar esta aprovação, como um abaixo assinado realizado pela IMF no ano passado, com 23 mil assinaturas, entregue à ANVISA. “Estas ações, como este encontro com os jornalistas, devem somar para que o resultado seja breve, pois pacientes brasileiros tem que ter o direito a ter acesso ao Revlimid assim como os pacientes dos outros países”, diz Christine Battistini, fundadora da IMF na América Latina.

Quem consegue usar no Brasil?

O aposentado Raimundo Junqueira Bruzzi (62) foi diagnosticado com mieloma múltiplo em 2008 e no mesmo ano fez o transplante. Porém, após um ano e meio a doença voltou. “Por ter voltado muito rápido, a médica achou que eu não deveria fazer outro transplante, pois voltaria mais rápido ainda”, conta Bruzzi. Foi então que começaram os tratamentos.

Ele iniciou o tratamento com talidomida. “Tomei por dois meses, mas não funcionou e tive muitos efeitos colaterais”. A tentativa seguinte foi com Velcade, que utilizou por oito meses. “Tive um retorno muito bom, mas não consegui passar do 8º ciclo porque os efeitos começaram a ficar muito fortes. Foi quando a minha médica recomendou o Revlimid”. O aposentado conseguiu pelo seu plano de saúde, da Unimed, por seis meses, mas como era do seu emprego e estava deixando o trabalho, teve que entrar na justiça para conseguir o remédio antes de seu plano ser cancelado.

Enquanto ele não tinha o resultado da ação, tomou apenas decadron por três meses para tentar controlar a doença. “Tentaram me dar outro remédio, um indiano, o Lenalid, que possui o mesmo princípio do Revlimid, mas a minha médica indicou o Revlimid”, explica. A indignação de Bruzzi é que o remédio que foi oferecido era outro. “Minha médica não pediu qualquer remédio com tal princípio ativo, ela pediu Revlimid. O que me ofereceram, e eu recusei, não tem aprovação em nenhum lugar e não tem eficácia comprovada por ninguém”, desabafou.

Depois de muita briga, envolvendo inclusive a imprensa, conseguiu receber o Revlimid pelo Estado no final de dezembro do ano passado. “Meu pedido foi aprovado por um ano. Em dezembro terei que renovar”, diz.

O servidor público federal Weber Brunelli (43) também teve a confirmação do diagnóstico em 2008, quando fez o exame de medula óssea. Desde então começaram os tratamentos. “O acesso ao Revlimid foi em novembro de 2011, mediante a concessão de medida liminar pela 2ª Vara Cível de Ituverava, que obrigou a Unimed Norte Paulista a fornecer o medicamento”, explicou.

Para continuar os ciclos, Brunelli precisou passar por diversas etapas burocráticas, mas conseguiu que fosse restabelecida a liminar para o fornecimento do medicamento.

Quanto aos efeitos colaterais, cada pessoa tem uma sensibilidade ao medicamento, mas os estudos demonstram que são menores que os outros tratamentos. “São muito mais fáceis de conviver que com os dos outros medicamentos. Dá para viver legal”, diz Bruzzi. “Aprendemos a conviver com os efeitos, como câimbra e coceiras que acabam passando”, completou.



Sobre a IMF
Enquanto não existe cura conhecida para o mieloma, médicos tem muitas formas de ajudar os pacientes com mieloma a viver mais e melhor. A International Myeloma Foundation -IMF foi fundada em 1990, nos Estados Unidos, por Brian e Susie Novis logo após o diagnóstico do mieloma de Brian aos 33 anos de idade. Hoje a IMF possui mais de 185.000 membros em todo o mundo.
www.mielomabrasil.org

Editorias: Feminina  Saúde  Sociedade  Terceira idade  Terceiro Setor  
Tipo: Pauta  Data Publicação: 13/03/12
Tags: CÂNCER IMF MIELOMA MÚLTIPLO SAÚDE
Fonte do release
Empresa: PARÁGRAFO COMUNICAÇÃO  
Contato: Ricardo  
Telefone: 11-28121110-

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