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Opinião - Pais e filhos - o poder das emoções

Emanuel Menim*

Outro dia li um post compartilhado por um jovem amigo que discursava sobre sua geração, o que me chamou a atenção. Dizia que a alcunha de “Geração Nutella” – termo que, em linhas gerais, faz menção a uma geração mais fraca emocionalmente do que as anteriores – é uma injustiça. A comparação foi rebatida de forma magistral: a geração anterior (a dos pais e avós dos jovens e adolescentes de hoje) sofria com inúmeros problemas de ordem emocional e, consequentemente, física. Alcoolismo, violência doméstica, drogadição, desagregação familiar, abusos sexuais e suicídios são apenas algumas das grandes tragédias que acompanharam a geração, atualmente, adulta.

A grande sacada do texto do jovem foi concluir, sabiamente, que a diferença entre as gerações é que a atual aprendeu a expressar seus sentimentos, falar sobre seus problemas e buscar soluções onde quer que elas possam ser encontradas, em vez de guardar para si e viver uma vida pressionada pelo peso das angústias e dos dessabores da vida. Achei genial! É uma excelente perspectiva sobre essa geração! Acredito que a grande beleza do ser humano é poder pensar sobre si e aprender com as experiências vividas. A nossa geração, mais velha, é do tempo em que a palavra bullying nem existia e resolvíamos – quando muito – nossos problemas na habilidade (de correr, por exemplo) ou na força. Mas já não é mais assim.

Há pouco começamos a compreender que só o conhecimento técnico apurado não é suficiente para fazer nossos negócios darem certo, nem nossas relações pessoais ou nossas famílias permanecerem saudáveis. O velho ideal iluminista de emancipação humana por meio da razão já estava decrépito, enferrujado. Na década de 1990, Daniel Goleman apareceu com o livro “Inteligência Emocional” e, então, descobrimos que somos bem mais do que “máquinas” preparadas nas instituições sociais para realizar cálculos frios. Somos gente, de carne e osso, com infindáveis variáveis que compõe a nossa complexa relação conosco mesmo e com o mundo. Lembramos daquilo que Pascal disse no século XVII: “o coração tem razões que a própria razão desconhece”.

Aquela velha história de que devemos separar nosso lado profissional do lado pessoal é ultrapassada e, depois de muito penar, temos compreendido juntos como sociedade que somos seres integrais e que, em nós, a razão e a emoção nem sempre são antagônicas e, muito menos, separáveis como água e óleo. São constatações que alcançaram muitos da nossa geração e que resultaram em algo salutar. Isso porque, de alguma forma, preparamos nossos filhos para se expressarem com mais liberdade do que pudemos fazer em nossas casas, escolas e igrejas.

Mas nem tudo são flores. Ainda convivemos com inúmeros problemas entre os jovens. As crises de ansiedade, para dar apenas um exemplo, cresceram assustadoramente nos últimos anos. E, em geral, a coisa começa bem pequena, quase imperceptível, mas cresce regularmente até virar um problema sério. Isso implica no papel do adulto. Não somos mais apenas formuladores e fiscalizadores de regras. Não funciona mais assim. Precisamos estar preparados para uma comunicação que trilha o sentido da empatia, da compaixão e do respeito aos sentimentos dos jovens. Quem quiser, de qualquer forma, atingi-los, precisa descer de seu pedestal de adulto experimentado e estar “entre” os jovens, não acima deles, e isso sem deixar a maturidade de lado. É uma nova lógica.


*Emanuel Menim é mestre em Sociologia, professor e assessor pedagógico de Formação Humana do Colégio Positivo.

Editorias: Criança  Cultura e Lazer  Educação  
Tipo: Artigo  Data Publicação:

 
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