Home  Imagens  Contato  Clássico    
O fim das barreiras ao ensino à distância
...

*Por Bruno Rocha

Até antes da chegada da COVID-19 e do isolamento social, existia, por parte de empresas e meio acadêmico, grande resistência quanto ao ensino à distância.

Nas empresas, havia uma clara incoerência entre demandas e proposições. Ao contratar, para muitas vagas, várias empresas nem sequer consideravam profissionais formados por educação à distância ou com diplomas de tecnólogos. E isso, enquanto pregavam uma maior abertura e inclusão de profissionais com origem menos favorecida. Ora, eram exatamente esses que estavam à margem e podendo chegar ao mercado de trabalho única e exclusivamente por causa das alternativas trazidas pelas melhorias na comunicação, tecnologia e regulamentação do ensino.

Por outro lado, em especial nas últimas duas décadas, a adoção das plataformas de e-learning corporativo substituiu muitos dos modelos tradicionais, restritivos e caros de formação profissional dentro das empresas. Agora era possível desenvolver uma grande base de profissionais, em escala, com qualidade e custo muito inferior. Porém, neste momento, eram as empresas que enfrentavam o desafio de convencer seus colaboradores de que o ensino a distância tinha qualidade e valia a pena. Podendo ser tão bom quanto um curso presencial, muitas vezes de fim de semana e até custeado pela empresa.

Realmente, como convencer profissionais que a educação a distância era de qualidade se você mesmo tinha resistência a profissionais formados através dessa mesma ferramenta?

Já no meio acadêmico, e em particular nos melhores centros de educação do País, era comum encontrar educadores que viam o ensino a distância como mera precarização do ensino. Um engodo que não seria capaz de formar profissionais ou pesquisadores à altura dos desafios que teriam a frente em suas carreiras. E, de fato, alguns centros de formação não observavam os padrões de qualidade e rigor necessários para uma educação eficaz. Com alunos com baixo nível de rendimento e conhecimento após conclusão do curso.

Porém, há que se observar que a mesma conclusão referente aos mesmos centros, era obtida de cursos presenciais precários. O ensino presencial de baixa qualidade provido em certos cursos e instituições também sempre foi igualmente questionado.

E outra realidade também estava se impondo. Todos os principais centros e sistemas educacionais haviam adotado alguma plataforma e ou modelo de educação a distância. Como exemplo, todos os maiores centros acadêmicos dos EUA, Europa e Ásia haviam desenvolvido plataformas de ensino a distância, seja para cursos exclusivos ou complementação de cursos presenciais.

Foi com esse pano de fundo, que a epidemia da COVID-19 chegou ao Brasil. De uma hora para outra, executivos e educadores resistentes tiveram de acelerar esse processo de mudança ainda incipiente e de forma radical. Foi nesse momento que obtiveram a visão de que não havíamos feito o dever de casa para adoção e desenvolvimento de sistemas e processos capazes de enfrentar o novo cenário.

Não investir em educação à distância, por falta de visão e ideias desatualizadas, trazia problemas de formação e perda de competitividade lenta que a sociedade, em seu cotidiano, não podia ver. Porém, foi a partir daqui, que os problemas reais do país ganharam cores e as perdas ficaram muito claras. E, por óbvio, ficou ainda mais claro que foram os que mais necessitavam de oportunidades e dependiam de um ensino público gratuito, os maiores prejudicados.

Como exemplo e como noticiado, o centenário Colégio Federal Dom Pedro II no Rio de Janeiro simplesmente decidiu não implementar nenhum tipo de educação à distância porque cerca de 30% de seus alunos não tinham acesso a informação digital. Os alunos ficaram esse ano praticamente sem nenhuma aula.

Em dados consolidados, de acordo com a pesquisa TIC Educação, divulgada no Brasil em junho, antes da pandemia, apenas 14% das escolas públicas (estaduais e municipais) tinham ambiente ou plataforma virtual de aprendizagem antes da pandemia e, apesar da maioria dessas ferramentas não terem sido projetadas para a utilização via smartphone, 21% dos alunos de escolas públicas só acessavam a internet pelo celular.

E foi em visita a Escola Municipal Carlos Dietz em Londrina, no Paraná, que observamos que os professores do ensino fundamental estavam dando aulas remotas utilizando um aplicativo simples de mensagem em celular. Com quarenta alunos por sala, elas lutavam heroicamente para dar conta de acompanhar seus alunos à distância. Diziam que o celular apitava no meio da noite e fim de semana, e de uma forma emocionante, escutei que respondiam seus alunos porque não queriam que fossem mais afetados.

De forma excepcional, através de uma iniciativa global, disponibilizamos gratuitamente nossa plataforma de educação completa que inclui salas de aula virtuais, chats dirigidos, provas remotas e toda infra estrutura requerida de educação para essas mesmas entidades públicas. Plataformas assim funcionam em smartphones e foi então, que os alunos e professores daquela mencionada escola receberam suporte e treinamento para sua adoção.

Na verdade, ações de parceria com entidades públicas e privadas de educação são desenvolvidas desde nossa implantação em Londrina. Muito além da óbvia retribuição à comunidade em que atuamos, é crítico para negócios de tecnologia que a educação nas cidades em que atuam seja de alto nível e sempre em evolução. Tecnologia é uma indústria ancorada no conhecimento. E dispor de um universo amplo, diverso e numeroso de talentos é o fator que vai determinar maior ou menor sucesso para uma grande empresa de TI.

Esse momento também mostrou que educação a distância e presencial não são modelos binários e concorrentes. O que aprendemos aqui é que toda educação presencial pode se beneficiar de tecnologias de ensino a distância de forma complementar. Para alunos de qualquer idade e em qualquer localidade, ajudando de forma especial os que são mais probres e estão mais distantes dos grandes centros de ensino.

No futuro, desafios como os enfrentados pela mencionada Escola Federal Dom Pedro II, serão endereçados por acesso a plataforma nos muito difundidos smartphones e em tablets dedicados a plataformas de ensino, a exemplo do TCS iON. Esses tablets custam o mesmo preço que os tablets mais baratos do mercado, mas, por serem desenvolvidos para uma plataforma específica, têm a performance dos tablets mais avançados disponíveis. Imaginem se todas as crianças no ensino público obtivessem um a cada quatro anos em seu kit escolar. Tal ferramenta não aumentaria significativamente o custo final do kits ao substitui um entre os livros entregues todo ano, tendo conteúdos especiais e atualização automática.

É certo que a triste pandemia que tivemos de enfrentar, nos possibilitou por outro lado acelerar nosso entendimento da importância e uso das ferramentas de ensino a distância. Mas muito ainda temos de fazer como cidadãos para desenvolver nosso ensino público e usar a alavanca da tecnologia para multiplicar a qualidade e os efeitos da educação. Como profissionais do setor público e educacional precisamos vencer essas barreiras juntos.

*Bruno Rocha é Chief Financial Officer (CFO) para o Brasil na Tata Consultancy Services (TCS).

Editorias: Ciência e Tecnologia  Educação  
Tipo: Artigo  Data Publicação:

 
Fonte do release
Empresa: Singular Comunicação de Resultados  
Contato: Janaina Leme  
Telefone: 11-50917838-

E-mail: jleme@singcomunica.com.br
Skype:
MSN:
Twitter:
Facebook:
Enviar release